sexta-feira, 10 de julho de 2026

com o mar não se brinca

 A reportagem no jornal da noite da SIC foi de um alerta extremo, na minha opinião.

Se não se fizer nada pelo ambiente, quer por cá, quer a nível global, mais 10 a 20 anos, os nossos netos não terão a praia que hoje muito gostam e usufruem.

Em 2014, escrevi este post 

📝

"Toda a minha infância e adolescência e até aos 24 anos, passei as minha férias em Apúlia.

Famílias completas juntavam-se, lado a lado nas barracas, em pleno convívio.

Foram muitos os momentos de alegria, diversão, brincadeiras, amores de praia, que tivemos. As noites eram de serenatas, cantares e danças/bailes.

Por vezes, e quando as nortadas não nos pregavam partidas e a maré estava vaza, íamos pela praia até Ofir.

Um extenso areal ligava estas duas localidades. 

As única rochas que se viam estavam no mar...

Risotas, jogo de bola, corrida, brincadeira, eram o nosso divertimento enquanto fazíamos o percurso.

O regresso era feito pelo pinhal.

Belos tempos.

Lembro-me que nos anos 80 já se falava que o mar estava a subir o nível e mais 20/30 anos não teríamos praia.

Os filhos cresceram, formaram-se, fizeram as suas vidas e as famílias habituais deixaram de ir para Apúlia.

Os meus pais passaram a ir para o Algarve, e os meus irmãos mais novos.

Eu fazia as minhas visitas à praia, até que comecei a fazer fins-de-semana em Ofir e/ou Esposende.

Nas manhãs de setembro, enquanto as aulas não começavam, levava os meus sobrinhos à praia.

Nessa altura, ainda havia uma extensão razoável de areal.

De há 12 anos a esta data, as rochas eram mais evidentes o areal menor. Em alguns lugares já nem espaço havia para as barracas.

Cada ano que passa é notório que estas praias estão mais pequenas.

E os anos voam.

O mar revolta-se e encarrega-se de nos tirar a praia que tanto gostamos.

Após a tempestade de janeiro, fui ver o mar. 

Calmo, via-se os estragos que ele fez, o lixo que trouxera.

E o areal mais pequeno.

O tempo continua chuvoso, não voltei lá. 

Mas vejo as notícias.

Hoje, no FB, no mural de uma jovem que habitualmente pedala até à praia, vi esta foto, com este comentário: "RIP, OFIR".

Fiquei triste."


 foto do FB (fevereiro) 2012

 


As minhas fotos de:

 2022




 2026

O mar passa além dos geocilindros





Sempre manifestei que adoro o mar, e sempre disse que lhe tenho muito respeito.

E o meu respeito está nas palavras que foram o título da reportagem, e ditas por uma das pessoas que intervieram nela:

"Com o mar não se brinca". 


quarta-feira, 8 de julho de 2026

trouxe do meu cantinho do Sapo



uma aventura no estádio (2022)


 Fomos ver o SCB que jogava com Union Berlin.

Decidimos ir de autocarro, mas quando vi o horário, achei que íamos chegar em cima da hora, tendo em vista o trânsito para lá.

Um autocarro que vai directo ao estádio nunca devia sair da cidade 45 minutos antes do jogo,mas pelo menos uma hora.

Quando chegamos e depois de passarmos os telemóveis para a leitura dos bilhetes, dirigimo-nos para as escadas  que, supostamente, davam para o nosso sector.

De repente, vimos um elevador, estava um casal para entrar, fomos na sua direção convictas de que iríamos chegar lá.

Entrou um grupo "VIP", um dos homens cumprimenta, muito sorridente, a minha amiga, ela retribuiu sem se lembrar quem era.

Mas o elevador ia até ao 2° piso.

A menina que estava naquele andar disse que estávamos enganadas, mas abriu uma das portas que dá acesso ao corredor e disse que subissemos as escadas até ao topo.

Mas o topo não nos levava a lado nenhum porque não tinha saída.

Entretanto, desciam outras pessoas que também não sabiam para onde ir.

Descemos de novo, o jogo tinha começado e nós não encontramos a saída. Voltamos ao elevador, estava lá outra menina, muito gira e elegante, que explicou-nos como fazer.

Mas lembrou-se de ver se a porta que dava acesso ao corredor estava aberta, e por sorte estava, disse-nos como fazer.

Subimos, subimos, até que chegamos lá.

A minha amiga transpirava de tanto subir.  Dizia que tinha ginástica para um mês ( ela não frequenta o ginásio nem é fã de exercício fazer exercício físico). Ora, quando perguntamos se era ali o nosso sector, sim,era, mas não daquele lado, mas do lado esquerdo e para cortar caminho tínhamos de atravessar pelas filas onde se sentava o público e eu não queria, de modo algum, descer aqueles degraus pequenos e andar à procura da filaedos lugares.

Estavam três agentes da polícia , veio mais um stweard, e depois de explicarmos tudo, e eu com aquele ar de brincadeira disse que há alguns anos que não íamos ao estádio, disseram eles: " sentem-se aqui que de certeza não vem ninguém e no intervalo procurem os vossos lugares."

Estávamos no topo do estádio, muito bem protegidas. Atrás pelos agentes, e encostadas à parede por onde não passava vento e frio ( levamos kispos e não foram precisos, estava uma temperatura agradável).

E com isto tinham passado cerca de 20 minutos.

Veio o intervalo, ela queria fumar um cigarro ( incrível num estádio não haver um recipiente para pôr as pontas dos cigarros), perguntei a uma segurança, ela disse que não há. Mas tem uma banca em inox, perguntei se a torneira funcionava, porque apagava o cigarro na água. A resposta foi afirmativa, fui verificar, e foi quando vi um copo de plástico com alguma água onde os fumadores deixam as beatas (não gosto desta palavra). E assim a minha amiga fumou o cigarro, porque se não houvesse nada para colocar, ela prescindia desse prazer para não atirar o cigarro para o chão.

No intervalo, não fomos procurar os nossos lugares.

Voltamos aos que tinhamos ocupado,  num deles sentava-se um senhor idoso.

Sentamo-nos na fila à frente, começou a segunda parte com o hino do SCB,toda a gente eufórica,  ganhamos o jogo. Foi lindo. Ver um jogo de futebol na televisão não tem piada, vê-lo no estádio, independentemente de se ganhar ou perder, aprecia-se melhor a táctica de jogo e é excitante.

Acabado o jogo, e porque a descer todos os santos ajudam, voltamos à saída para apanharmos o autocarro.

Num dos andares, ouvimos uma voz feminina dizer "Ó setôra, que bom vê-la! Que saudades! Porque foi embora?"

A minha amiga explicou o porquê de ter saído, comentei eu que a culpa foi do Ministro, elas despedem-se, a jovem abraçou a minha amiga, e ao mesmo tempo que seguia na direcção oposta, disse:"Gosto muito de si, setôra"

( imagine-se a cara de babada da minha amiga, e feliz com o elogio).

Láfora o trânsito era intenso, estavam dois autocarros apinhados de pessoas, andavam a passo de caracol, percebemos de imediato que não teríamos hipótese de entrar porque o motorista não ia abrir-nos a porta.

Decidimos ir de táxi.

O primeiro da fila de três, era o que devíamos entrar, mas vimos um homem no passeio junto ao carro, perguntamos se podia levar-nos.

E respondeu ele: " Está lá o miúdo".

Eu ri-me e disse à minha amiga que se estava lá um miúdo é porque esperava alguém, então teríamos de entrar no segundo táxi.

Perguntamos se podíamos entrar, respondeu o mesmo homem:"Não, têm de ir para esse táxi, está lá o miúdo, é ele que as vai levar".

Desatamos a rir. O miúdo?!

Quando abrimos a porta, estava um jovem que imediatamente nos disse para entrar.

A partir desse momento iniciamos uma conversa sobre o futebol, que ele comentou ter visto no telemóvel, de ir ver o jogo da Selecção (cá em Braga), que já tem bilhete ( nós não), e com uns modos educados e uma conversa fluída, até que a minha amiga perguntou-lhe de onde era.

De Bragança, veio estudar para a UM, está no curso de Mecânica, gosta da cidade, embora conheça pouco, gosta das pessoas.

Quando saímos do carro,demos uma gorgeta pela simpatia, desejamos sucesso para os estudos e parabenizámo-lo pela educação que tem.

Já depois de ele arrancar, comentou a minha amiga: " Ele é muito novo, deve ter 18 anos."

Deduzimos que, enquanto não começam as aulas deve ter este emprego, vai ganhando uns trocos.

 E rimo-nos quando comentamos que o outro táxista sabia o que estava a dizer com,  "Tem um miúdo lá dentro".

Cheguei a casa, o cansaço era tal, tomei um duche, sentei-me no sofá, e adormeci.

Foi uma aventura esta ida ao estádio.

O bichinho entrou. Se tivermos oportunidade de ir ver um jogo que nos entusiasme, voltaremos, mas  acho que nos vamos perder outra vez.

 

 

 

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

este texto tem seis anos

 e continua muito actual

Sou pouco facebookiana, encontrei este texto que despertou a minha atenção.

Costumo acompanhar um familiar à terapia numa clínica de fisioterapia, na Maia, clínica essa frequentada por crianças com síndromes, sem síndromes, jovens, idosos, qualquer pessoa que precise de recuperação.

Pessoas que vêm  dos vários cantos do país, e do outro lado da fronteira.

E é neste lugar especial que dou conta das muitas crianças com necessidades físicas e cognitivas especiais. Entendo o quanto é importante integrá-las e serem aceites pelos outros, nomeadamente pelos adultos.

Muitas foram as vezes que lá entrei e apeteceu-me fugir por ver o sofrimento das crianças E o que leva os pais a procurarem este tipo de fisioterapia, e digam e/ou pensem o que quiserem, mas  estas alternativas são fundamentais para estas crianças. 

Falo porque sei. 

Ando lá há dois anos.

Então, decidi partilhar este texto convosco, para vos dizer que a minha experiência nestas idas à Maia têm sido fundamentais para perceber o quanto é urgente e importante integrar as crianças com necessidades especiais com as outras crianças, quer seja na escola, quer no parque infantil, nas actividades de fim de semana com os  pais, nas festas dos amigos da escola, nos tempos livres.

E todos sabemos que estas crianças, no que se refere à brincadeira, à música, à natação, são mais extrovertidas, são únicas. 

Cabe a nós, adultos, aos pais, aos educadores, a missão de  explicarem aos seus filhos, sobrinhos, netos, sobrinhos netos, que estas crianças têm algumas diferenças e que precisam de conviver, de brincar, de ser aceites por todos.

Ah! E são crianças que dão muito amor aos outros.


Da página do FB, o texto:

"Eu gostaria de fazer um alertar para um tema controverso...

Se os teus filhos não convivem com crianças com necessidades especiais na escola e nunca os ensinaram que nem todos são iguais, talvez devas investir 10 minutos hoje à noite para lhes explicar isso, porque, embora eles possam não conviver atualmente com essas crianças na escola, eles certamente vão encontrá-los nas suas vidas no futuro.

À luz dos eventos frequentes sobre a exclusão de crianças com autismo de participar em viagens escolares e de crianças com Síndrome de Down serem expulsas das aulas de dança porque não conseguiam acompanhar o ritmo, sinto a necessidade de compartilhar isto. 

Há meninos e meninas que ninguém convida para festas de aniversário. Existem crianças que querem pertencer a uma equipe, mas não são selecionadas porque é mais importante vencer do que incluir essas crianças. Crianças com necessidades especiais não são esquisitas ou estranhas, elas só querem o que todos os outros querem: serem aceites!

Estás disposto a copiar e colar este post no teu mural sem compartilhá-la, como eu fiz, por todas as crianças especiais por aí?"

❤️💜🧡💛💚💙🖤

Por favor, ensinem os vossos filhos a tratarem de igual forma todas as crianças. 

Todos precisamos de amor e bondade.




sábado, 4 de julho de 2026

Aniversário/lembranças que trouxe do sapo

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 Hoje, dia 4 de Julho, a minha sobrinha e afilhada, Sofia, faz 28 anos.

Andava à procura de uma fotografia que publiquei no ano passado na blog Sapo,  encontrei  esta foto do verão de 2012.

Tinha a Sofia 16 anos.

Aqui está a jogar  basquete ( e continua a ter o hobby de encestar algures num parque) com um jovem com deficiência.

Que será feito do jovem?

Coincidência ( se as há), passei, de carro, perto deste lugar onde, em tempos, fazia caminhadas pela via pedonal do rio Este.

Saudades.





 

uma música

 


sexta-feira, 5 de junho de 2026

dia mundial do ambiente


Hoje, 5 de Junho, assinala-se o Dia Mundial do Ambiente.



imagem daqui

No Instagram, sigo este fotógrafo ( já escrevi sobre ele há algum tempo), encontrei as duas fotos que por si só dizem tudo sobre o estado do ambiente, no caso no Bangladesh.







Este vídeo, de 2023, alerta para a hora de agir pelo ambiente.

Infelizmente, há anos que se fala, se discute, fazem-se manifestações, Cimeiras, Conferências que em pouco tem dado sinais de progressos.

Os governos, e todos nós, vamos adiando, e esquecendo que o Planeta está a sofrer, como se ele aguente mais um pouco.




A propósito deste dia, trouxe do blog do Sapo, ano de 2023, umas imagens da página Instagram do Mercado da minha cidade, com algumas dicas de como poupar no plástico.




Mas há muito mais a fazer, porque quem lá vai, serve-se de um saco de plástico que o vendedor tem disponível para cada compra que faz.

E é um desperdício!

Há pelo menos 6 anos que levo os meus sacos de plástico quando vou às compras de mercado.

Tenho uma caixa com sacos para congelamento que, depois de usados, lavo-os, seco-os, e levo-os para comprar os legumes no mercado.

Quando não têm utilização, vão para a reciclagem.

Quanto aos produtos a granel, sigo os passos que a minha mãe me ensinou, até porque ia sempre com ela ao mercado fazer as compras da semana, era eu uma menina.

Ficou nos meus hábitos comprar produtos a granel. 

Assim como os legumes: bróculos, couve-flor, hortaliça, feijão verde, ervilhas, pimento, tomate muito maduro que depois de lavado e dividido em doses é congelado para todo o ano. 






segunda-feira, 1 de junho de 2026

dia da criança / Almada Negreiros


E porque hoje é o Dia das Crianças, um texto deste autor,  sobre e para elas:

A Flor
Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis.A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
:Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

 

 Almada Negreiros, in "O Regresso ou o Homem Sentado"

domingo, 17 de maio de 2026

uma foto

 15 de Maio, Dia da Família.

Festa na escola do sobrinho neto.

O recinto decorado com flores que as crianças fizeram em casa com os pais.

Gostei especialmente desta.



O miúdo fez esta 






quarta-feira, 13 de maio de 2026

há nove anos

 


estive lá com as minhas.amigas e colegas de trabalho.

Uma noite de procissão das velas mágica.

Uma noite sem dormir.

Um pequeno grupo coeso.

Ontem, as mensagens a recordar esse lindo ano.

Desde então, todos os anos vou a Fátima.

Às vezes sozinha, outras, nas férias, com uma amiga.

Os pais casaram neste Santuário de Fátima.

Iam lá todos os anos na data do casamento.

Eles já não estão cá 

Mas ela faz questão de lá ir sempre que pode, nessa altura.


Esta foto é de 2017.


Passaram nove anos.

E cada uma de nós envia uma mensagem a recordar estes dias 12 e 13 de Maio, de Nossa Senhora.

A menina das calças brancas já é avó.

Quanta felicidade!

É a vida a acontecer 🙏


sábado, 25 de abril de 2026

em 2009

 




comemoravam-se 35 anos de 25 de Abril, escrevi isto no meu cantinho do Sapo:


Onde está o povo unido?

Que é feito dele?

Onde estão os valores?

Onde está o respeito?

Onde está a solidariedade?

 

Hoje o povo unido isolou-se.  Está mais só, mais pobre, mais sedento de individualismo.


Passaram 17anos e as perguntas mantém-se.

E as respostas estão nos comentários que lemos, maioritariamente,  nas redes sociais. 




segunda-feira, 13 de abril de 2026

dia do beijo

 Trouxe do meu cantinho do Sapo blogs





Foto de um dos trabalhos de Almada Negreiros
 Exposição no Museu Soares dos Reis, 2018

quarta-feira, 8 de abril de 2026

azul marinho

 azul marinho # 1



" Porque não?!" - questionava-se

Veneza, a cidade dos amantes, e ela, ali, sozinha " que aventura!", pensava.

Seria mais interessante ter uma companhia para partilhar aqueles lindos lugares cheios de romance e de história.

Devia ter pensado nisso, mas a sensação de, pela primeira vez, viajar sozinha para fora do país, era um desafio a si própria.

Não sabia falar italiano, nem inglês, mas alguma coisa havia de desenrascar; " Os turista que visitam o nosso país também conseguem chegar onde querem e não falam português", pensou.

Quem sabe encontraria uma portuguesa a passear pelas ruas? Há tantas mulheres que viajam sozinhas!"

Porque não?!" , matutava.

Decidiu seguir um roteiro que encontrara na internet. Quatro dias para ver a Basílica de San Marco, os mosaicos da Catedral, subir a Torre do Sino Campanille e desfrutar da vista da cidade. Muito havia para visitar e o último dia seria para vaguear pelas ruas de Veneza.

Alugara um quarto num hotel três estrelas, ficou satisfeita com o a decoração, com o quarto, que, não sendo xpto, era acolhedor.

Deitou-se cedo, tentou dormir mas, mais uma vez, o filme da sua vida passava-lhe à frente dos seus olhos fechados , até que adormeceu.

O pequeno-almoço era servido entre as 08:00h e as 10:00h.

Olhou o despertador: " 8:20h. Bom dia Veneza!".

Saiu da cama , tomou um duche.

Levara o essencial para vestir nesses quatro dias. Um vôo low cost não permite que a bagagem seja de mais. Escolhera umas peças clássicas em tons de azul marinho e branco que nunca a deixaram ficar mal.

Vestiu as calças azul marinho, uma camisa branca, um casaco de malha também azul marinho. Completou o look com um lenço de seda e azul marinho e branco, que o ex-marido lhe oferecera quando fez quarenta anos. Calçou os sapatos camel Oxford que comprara nos saldos, bastante confortáveis para os longos percursos a pé que se preparava para fazer.

Olhou o espelho, gostou de se ver, sentia-se uma mulher com classe. Pegou no trench coat bege para a agasalhar nas manhãs e nos fins de tarde daquela primavera.

Foi complicado entender a italiana que a encaminhou para uma das mesas ainda vagas e lhe explicava o que tinha de fazer para se servir.

E pelo gestos percebeu que tinha de lhe dar o número do quarto e que podia servir-se de tudo o que quisesse comer. O pequeno-almoço buffet, que tanto gosta!

Serviu-se do que queria para não se levantar muitas vezes. Apreciava este pequeno-almoço que estava a saber pela vida. Discretamente ia observando os casais, que conversavam baixinho, e o movimento vaivém dos hóspedes, também estrangeiros como ela.

De repente, os seus olhos fixaram um homem que entrou na sala.

De costas para si, este homem, alto, cabelo grisalho, elegantemente vestido, falava em italiano com a sorridente funcionária que apontava a única mesa vaga, e ao lado da sua.

O homem virou-se. Sofia sentiu um baque no coração. O seu rosto corou.

E as suas mãos tremeram.


domingo, 5 de abril de 2026

uma carta que trouxe do blog do sapo

 última semana, último dia, último desafio deste ano de 2022, da nossa bee Ana

Maria, quando no início de 2022 pensaste seguir em frente com este desafio, não te lembras de teres escrito isto nos comentários da Ana, pois não?

ana.jpg

Pois bem, decidiste levar a ideia para a frente, pensaste que um ano era muito tempo para cumprir os temas, e. certamente nem estarias com disposição para isso. Contudo, começaste no dia 13 de Janeiro, e, semanalmente, mesmo que não fosse à segunda-feira, porque não fora possível, não falhaste.

E semana após semana, tiveste consciência de que o tempo passava com rapidez, que viveste muitas coisas boas e menos boas, que foi um ano difícil, que este desafio te vai fazer recordar, se continuares por cá, o que escreveste ao longo do ano, e dos anos de existência deste blogue. Até porque tu dizes que este teu blogue é um diário, ou um livro de memórias que vais lendo quando te apetece ir lá atrás no tempo e ver o que escreveste num determinado dia, ou mês do ano, e reflectires que tem valido a pena manter este cantinho, mesmo que não haja inspiração, ou até há, mas a oportunidade nem sempre a tens para escreveres alguma coisa.

Também te questionavas se ainda tens idade para andar nestas coisas de desafios. Por vezes, pensavas que não estavas "aí" para estas coisas da blogosfera.  Depois, concluías que até era interessante, comentavas para ti que, sempre que pudesses, escrevinharias qualquer coisa.

E o facto é que tens-te surpreendido quando te perguntas: " O quê?! Escreveste isto?!" ,ou "Já passaram tantos anos?!"

E é isto que acontece quando encontras pessoas que não conheces pessoalmente, outras sim, e que te fazem  acreditar que há gente boa por cá, com talento, com humor, com quotidianos idênticos, com momentos felizes, outros menos, e porque a vida é mesmo isto: aprender a viver cada dia com o melhor que sois e tendes para dar e receber.

Continua, Maria.

Ah!  A Bee, que está a desafiar-se a si própria, é uma miúda que vai conseguir os seus objectivos.

Congratula-a, porque na vida tudo é possível quando se tem garra e se quer.

Vencer cada pequena etapa do dia, já é um grande desafio.

Que venha 2023.




E porque gostei de recordar este comentário da Ana, e  por que o Sapo blogs vai apagar todos os nossos blogues, decidi publicar semana a semana, os textos e imagens dos desafios que tive pela frente e que me deram muito gozo participar.

O primeiro, e a propósito dos lápis de cor que usava ( e eu também) na infância, da Viarco, que a Fátima escreveu "fizeram a delícia das crianças",  convidou-nos a participar no desafio  " Vamos Pintar com Palavras", com doze textos, tantos quantos as doze cores da caixa de lápis grande da Viarco.

Dia 8, o texto número1.





uma foto

 este ano, a Páscoa não foi festejada na praia 

a família está fora, três dias
a Kat tem uma alergia e está a ser avaliada pela veterinária
não tinha quem cuidasse da minha gata
fiquei por casa com ela




antes da alergia





com alergia






 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

uma foto

flores de verão