domingo, 18 de janeiro de 2026
sábado, 17 de janeiro de 2026
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
O letreiro
Conto de Natal
Era orfão de pai.
Dissera-lhe a senhora da família da casa Abrantes, para quem a mãe servira.
Todos na aldeia sabiam, mas segredo que foi, nunca chegou aos seus ouvidos.
Nem sua mãe, que morreu, era ele uma criança com oito anos.
A família Abrantes tomou conta dele.
Dormia num quarto na cave da casa.
A empregada da casa tratava-o como a um filho.
Não lhe faltavam o pão e o leite antes de sair para a escola.
Ao meio-dia, o prato de sopa, as batatas, com hortaliça, o feijão, arroz ou massa sem nada; ou um naco de carne; ou umas rodelas de chouriça que sobrava da mesa dos ricos e que a Efigénia punha em cima do feijão. "Um manjar do céu",dizia ela.
À noite comia o resto da sopa com a broa, ou engrossava a sopa com a farinha de milho.
Frequentou a escola primária.
Não foi além da quarta classe.
Aprendeu a respeitar e servir esta família.
Nunca os filhos da patroa lhe deram um sorriso, ou lhe fizeram um pedido para brincar com eles.
Pelo contrário.
Servi-los era sua obrigação: "Sebastião, faz isto. Sebastião, faz a aquilo!"
Tratavam-no como um pobrezinho e ignorante rapaz.
"Pobre, sim. Ignorante, não", pensava.
Fazia de tudo no campo: roçar o mato, semear milho, batata, feijão, couves,dar de comer aos animais.
Ia vender para as feiras o que se colhia.
E tinha um dom que não sabia de onde lhe vinha. Consertar um cano, uma avaria no tractor.
Pagavam-lhe alguns tostões que foi juntando até chegar à idade de mudar de vida e deixar aquela casa.
Quando chegou a altura de sair, despediu-se da família.
Virou-se sozinho. Foi viver para a cidade.
Sabia trabalhar no campo, fazia biscates em casa da senhora, sentia-se preparado para qualquer trabalho.
Na cidade sentiu-se perdido com a agitação das pessoas que andavam de um lado para o outro.
Os carros que buzinavam, as motas ruidosas, as sirenes da polícia, dos bombeiros. Tudo era barulho na cidade.
Nos primeiros dias, ficou numa modesta pensão enquanto procurava trabalho.
Perto desta, havia um tasco onde comia as suas refeições.
O dinheiro não era muito.
Entrou em oficinas de automóveis, em lojas de ferragens, em mercados, padarias. Qualquer coisa seria bem-vinda para começar a sua nova vida.
O tempo foi passando, o dinheiro estava a acabar.
Sentiu-se sozinho. E triste.
Pensou que seria fácil encontrar trabalho na cidade.
O Natal estava a chegar.
As luzes da esperança, da harmonia, da união das famílias, brilhavam nas ruas da cidade.
Para as crianças eram as luzes de magia, de alegria. Para ele eram de tristeza.
Sentia-se desanimado. E cansado de calcorrear a cidade.
Ninguém tinha lugar para ele.
Estava frio naquele dia de feriado da Imaculada Conceição.
Era grande o frenesim das pessoas que, carregadas de sacos com presentes, entravam e saíam das lojas.
"Nunca recebi um presente de Natal. Nunca soube quem era o meu pai", pensou.
A caminho da pensão, com o frio entranhado no corpo, meteu por uma ruela que nunca tinha passado.
Uma rua iluminada pelas luzes que decoravam as montras das pequenas lojas comerciais.
De repente, um papel branco com letras grandes e escuras colado no vidro da porta de uma loja de artigos eléctricos, chamou a sua atenção.
Nem queria acreditar no que estava escrito: "Empregado, precisa-se".
Entrou.
Saiu da loja.
O coração palpitava de felicidade e de gratidão.
Gratidão à Imaculada Conceição que o levou a entrar naquela rua.
Quando chegou ao final da rua, levantou os olhos para a tabuleta . E leu, "Nossa Senhora da Luz".
"Nunca recebi um presente de Natal. Nunca soube quem era o meu pai".
" Recebi, hoje, o melhor presente de Natal".
conto de Natal que trouxe daqui
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
o ano da mudança
2026
A caminho de 18 anos de blog na plataforma Sapo Blogs, a partir de hoje, dia 12de Janeiro de 2026, é este o meu novo sítio de escrita das coisas banais do meu dia.
Este blog, que tinha o título "as minhas fotografias", desde 2017, e sem vida desde maio de 2024, passa a ser o "cantinho da casa 22".
Vou tentar ser assídua neste sítio onde tenho os amigos que o amigo Rui reunia nos almoços convívio. E dizia que "a melhor rede social ainda é uma mesa rodeada de amigos".
O Sapo Blogs vai fechar, estaremos por aqui a partilhar conversas, seja em grupo, seja em cada um dos nossos cantinhos, para
Espero registar, ou importar, as muitas coisas que escrevi no cantinho da casa, "vivo" desde 2008 até hoje.
Bem-vindos ao meu novo cantinho.
💓












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