Um homem nos 70 anos, barba branca, razoavelmente vestido, chapéu na cabeça, fumava um cigarro à entrada da lavandaria.
Máquinas de lavar vazias, as de secar ocupadas.
Esperei que uma ficasse vaga.
Acabado o cigarro, o homem sentou-se no banco ao lado de um homem de nacionalidade brasileira.
Enquanto a esposa tirava a roupa, o homem mais velho, que se apresentou como pedinte, pergunta ao brasileiro se tem alguma roupa que possa dar.
-Um kispo, umas calças. Você tem estrutura como a minha, a sua roupa deve servir-me.
Outro dia, esteve aqui um homem a quem pedi roupa, disse que ia trazer, fiquei à espera e não apareceu.
Eu durmo na rua, tenho as minhas coisas guardadas, mas preciso de mais roupa.
O brasileiro dizia que ia ver o que tinha em casa, que se tivesse alguma coisa lhe daria.
- Ah, mas não se esqueça. Vou estar aqui a descansar um bocado, fico à espera de si. A que horas passa aqui?
O outro dizia que ia ver, que se tivesse passaria lá por volta das três horas.
- Veja, lá. Não faça como o outro que nunca mais apareceu.
E insistia na conversa.
Depois de a esposa pôr a roupa nos vários sacos, o jovem brasileiro levantou-se, pegou nos sacos, e quando se preparavam para sair, o mais velho insistiu:
- Não se esqueça. Vou estar aqui à sua espera.
A lavandaria tem uma máquina de café, outra de bebidas e sandes.
Uns minutos depois, tirava a minha roupa da máquina e pergunta-me ele:
- A senhora não me paga uma sande? Tenho fome e ainda não comi nada.
Olhei para ele e respondi que tinha levado algumas moedas ( o que era verdade) para meter na máquina, não tinha dinheiro que chegasse para lhe pagar a sande.
Ele não comentou mais nada.
Entretanto, procurei o contacto da lavandaria, queria ligar ou enviar um email.
Um espaço pequeno, onde vão os alunos da escola secundária da zona e ficam por lá a comer e beber, deixam o espaço sujo. E o chão com pó acumulado, percebe-se que ninguém lá vai limpar.
Neste curto espaço de tempo, entrou outro homem, que não me apercebi, se não fosse o mais velho perguntar:
- Não me quer pagar uma sande?
O outro não respondeu. Só vi uma mão levantar e fazer o gesto de não.
Saí da lavandaria.
O homem não me pareceu ser um sem abrigo.
Acredito que seja uma pessoa que procure tomar as refeições numa Cáritas, ou outra associação de apoio.
A ser verdade que é um mendigo, se tivesse o dinheiro para a sande, não sei se pagaria.
Dar-lhe-ia um euro.
Não gostei da forma como se dirigiu às pessoas.
Não mostrou ser uma pessoa humilde.
imagem daqui

2 comentários:
É sempre um pouco constrangedor quando estamos na nossa rotina e somos confrontados com esses "pedidos". Percebo perfeitamente o que sentiu e claro que há outras formas de pedir ajuda.
Ainda não me habituei à caixa de comentários deste blog, não reparei que tinha o seu e de mais pessoas que ambos conhecemos.
Boa semana
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